10/10/2017 01:09
Água 3.0: projeto quer filtrar microplásticos e resíduos de medicamentos da água
A filtragem de águas residuais precisa evoluir e já há cientistas pesquisando sobre o assunto

A tecnologia de tratamento de água residual que existe hoje não foi projetada para lidar com dois tipos de contaminantes perigosíssimos: microplásticos e resíduos de medicamentos. Os problemas que esses itens podem causar são variados e sérios (veja mais a respeito na segunda parte desta matéria). Além de reduzir o consumo de plástico desnecessário e a expandir técnicas de reaproveitamento e reciclagem, um caminho necessário é o desenvolvimento tecnológico para filtrar microplásticos e medicamentos em usinas de tratamento.

Um projeto chamado Wasser 3.0 (Água 3.0) está recebendo reconhecimento por aumentar a exposição pública dessa recente necessidade e por trabalhar em soluções para os novos problemas. A iniciativa é conduzida pela professora doutora Katrin Schuhen, do Departamento de Química Orgânica e Ecológica da Universidade de Koblenz e Landau, na Alemanha. O grupo trabalha nas tecnologias de próxima geração necessárias para tratar os microplasticos e produtos farmacêuticos nas águas residuais.

As experiências com géis de sílica híbrida são promissoras. As moléculas farmacêuticas de sílica reagem quimicamente com os géis, separando-os da água. Microplásticos são tratados com um gel que promove a formação de aglomerados, que formam pedaços grandes como bolas de pingue-pongue. Desse modo, as bolinhas flutuam na superfície da bacia de tratamento, permitindo separação com facilidade.

A separação dos aglomerados de microplásticos com sílica em gel da água garante que os contaminantes possam ser dispostos de forma permanente e efetiva. A sílica em gel pode ser reciclada, dando ao processo um ciclo de vida mais positivo.

O processo está passando por seus primeiros testes em cooperação com uma usina de tratamento de águas residuais.


Problemas dos microplásticos e dos medicamentos nas águas residuais
Um estudo da Universidade de Lund, na Suécia, comprovou a tese de que microplásticos atravessam a barreira hematoencefálica para se acumularem no cérebro dos peixes, e esse acúmulo pode estar relacionado a distúrbios comportamentais nesses animais, incluindo consumo mais vagaroso de comida e menor intensidade em exploração de ambientes.


O relatório em questão se junta a outras notícias nada boas sobre plásticos:

Os peixes podem ser atraídos pelo cheiro do plástico - veja mais em "Pesquisa mostra que anchovas são atraídas pelo cheiro do plástico na água";
Dez por cento de todo o plástico produzido acaba indo parar nos oceanos;
Cerca de 83% das amostras de água da torneira em diversos lugares do mundo têm contaminação microplástica - veja mais em "Há microplástico nos alimentos, no sal, no ar e na água. Saiba como ele surge, mude hábitos e previna-se";
Peixes que habitam localidades próximas a saídas de água de usinas de tratamento de esgoto sofrem danos nos rins e feminização.
As usinas do padrão atual de tratamento de águas residuais não podem lidar com a produção em massa de microplásticos que chega aos esgotos diariamente.

As fibras e partículas dos microplásticos são muito pequenas para os atuais métodos de filtragem... Sem contar que são "neutras" no sentido de que não possuem propriedades que permitam que sejam coletadas facilmente das águas residuais. Alguns microplásticos são capturados em itens como graxas ou gorduras misturadas às águas residuais ou se depositam na lama, mas a maioria do microplástico ainda é descarregada nas águas superficiais. Existe a opção da filtragem com areia, que até consegue capturar as partículas, mas elas acabam na água novamente quando os filtros são espalhados para que possam continuar a funcionar de forma eficaz.

A inserção de químicos na água também é um grande problema e é oriunda principalmente de resíduos de medicamentos presentes na urina e nas fezes. Não há filtragem adequada e o que torna a situação mais grave é que quantidades baixas de certos químicos consumidas constantemente podem ser prejudiciais. Com o aumento do uso de medicamentos por uma população em processo de envelhecimento, o problema só aumenta.
Fonte: www.ecycle.com.br
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